sábado, 25 de abril de 2009

Mania de satisfação eletrônica 1

E, de repente, no meio do trabalho, no fim-de-semana, meu futuro se clarividencia. Claro que ele era lógico e previsível, só não tinha me dado conta. Ou tinha, e me esqueci.
Brilhante? Não...
Bonito? E o que não é?

domingo, 15 de março de 2009

Sobre a vida e outros demônios

O que eu vejo no ócio que me faz tão confortável eu não sei. Isso me incomoda mesmo ou fazem me incomodar com isso?
Não é fácil, não é fácil...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

É, eu ainda caio nas armadilhas indies...

Quer coisa mais ultra-power-cool-lo-fi-neofolk-experimental-ultramoderno do que ficar pirado por uma música que cita Nietzsche em alemão? E bem um trecho da Parábola do Homem Louco, que tá super in há bem uns três anos por causa da ascenção do ateísmo como moda nos círculos dos moderninhos anarco-comunistas?
E se eu, sendo quem sou, conhecido como sou (aparências....), disser que só descobri tratar-se do cabrão alemão depois de viciar na música, alguém acreditaria?
Óbvio que não.


O trecho, que é repetido a música toda, ei-lo:
"Diese Tat ist ihnen immer noch ferner, als die fernsten Gestirne, und doch haben sie dieselbe getan!" (This deed is still more distant from them than the most distant stars, and yet they have done it themselves!) [Não atrevo-me a traduzir 'deed' no contexto. Nem fudendo... Uma hora dessas ainda? pffff....]


A música, pra quem quiser baixar e ouvir, que é linda: Electrelane - This Deed
Recomendo também o álbum desta música: The Power Out.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

menina, a felicidade

é cheia de Eno.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Levantes contemporâneos: limites românticos?

Não estou acompanhando com afinco o que anda ocorrendo na Grécia por estes dias, apesar de ser partidário, quase que por osmose, das atitudes práticas dos jovens daquele lugar. Não sei o quanto lá eles são deslocados da realidade como são aqui os estudantes; nem o quanto estes levantes têm de romântico e como são limitados pelo próprio sujeito revolucionário, que não tem idéia do que fazer com a liberdade buscada, como visto no fatídico maio de 68. Porém hoje recebi um texto que seria uma carta dos trabalhadores atenienses escrita aos estudantes, na qual isso do rumo não ter rumo aparece de uma forma muito bonita e sincera. Confesso que isso conforta um pouco a alma. Parece que a angústia desaparece por alguns minutos. Só é foda ler isso apenas....


Enfim, segue a transcrição.


Carta aos estudantes escrita por trabalhadores atenienses



Nossa diferença de idade e o distanciamento geral nos dificultam discutir com vocês nas ruas; esta é a razão por que nós mandamos esta carta.

A maioria de nós ainda não está careca, nem nos pintou uma barriguinha. Somos parte do movimento de 1990-91. Devem ter ouvido falar dele. Naquele momento, quando havíamos ocupado nossas escolas durante 30-35 dias, os fascistas mataram um professor porque foi mais além da sua função natural (o de ser nosso guardião) e cruzou a linha que levava ao lado oposto: veio conosco, para nossa luta.

Então, até o mais brando de nós foi às ruas nos distúrbios. Sem dúvida, nós nem sequer pensamos em fazer o que tão facilmente fazem vocês hoje: atacar delegacias (ainda que cantávamos aquilo de "queimar delegacias...").

Assim francamente, vocês foram muito mais além que nós, como ocorre sempre na história. As condições são diferentes, é claro. Nos anos 90 nos compraram com a desculpa do êxito pessoal e alguns de nós nos entregamos. Agora as pessoas não acreditam neste conto de fadas. Vossos irmãos maiores nos demonstraram durante o movimento estudantil de 2006-07. Vocês agora lhes cuspam seu conto de fadas na cara.

Agora começam as boas e difíceis questões

Para começar, lhe dizemos que o que temos aprendido de vossas lutas e de nossas derrotas (porque ainda que o mundo não seja nosso, sempre seremos perdedores) e podem empregar o que temos aprendido como queiram:

Não fiquem sós. Chamem-nos; chamem a tanta gente como seja possível. Não sabemos como podeis fazê-lo, encontrarão a forma. Já ocuparam vossas escolas e nos dizem que a razão mais importante é que não gostam delas. Bem. Já que ocuparam, invertam o rol de prioridades. Troquem vossas ocupações com outras pessoas. Permitam que vossas escolas sejam o primeiro lugar para nossas novas relações. Sua arma mais potente é nossa divisão. Tal e como vocês não temeram atacar as delegacias porque estão unidos, não temam chamar-nos para mudar nossas vidas, todos juntos.

Não escutem nenhuma organização política (nem anarquista nem outra qualquer). Façam o que necessitem. Confiem no povo, não em esquemas e idéias abstratas. Confiem em vossas relações diretas com as pessoas. Confiem em vossos amigos: façam da vossa luta a de quanto mais gente for possível, vossa gente. Não lhes dêem ouvidos quando te disseres que vossas lutas não têm conteúdo político e que deveriam obtê-lo. Vossa luta é o conteúdo. Tão só tenham vossa luta e está em vossas mãos assegurar o seu avanço. Tão só ela pode mudar vossa vida, a vocês e as relações reais com vossos companheiros.

Não temam atuar quando enfrentarem coisas novas. Cada um de nós, agora que nos fazemos maiores, têm algo semeado em seu cérebro. Vocês também, ainda que sejam jovens. Não esqueçam a importância deste fato. Em 1991, nos enfrentamos com o cheiro de um novo mundo e, acredite-nos, o encontramos difícil. Havíamos aprendido que sempre deve haver limites. Não temam a destruição de mercadorias. Não se assustem ante os saques de lojas. O fazemos porque é nosso. Vocês (como nós no passado) foram criados para levantarem todas as manhãs visando fazer coisas que mais tarde não serão vossas. Recuperemo-las e compartamo-las. Tal e como fazemos com nossos amigos e o amor.

Pedimos desculpas para vocês por escrever esta carta tão rapidamente, mas fazemos isso ao ritmo do trabalho, em segredo para evitar que dela se intere o chefe. Somos prisioneiros no trabalho, como vocês na escola.

Agora mentiremos aos nossos chefes e deixaremos o trabalho: reunir-nos-emos com vocês em Syntagma com pedras nas mãos.

Proletários


Tradução: Juvei
fonte: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/12/435481.shtml



Entusiasmo. Resta saber se o entusiasmo que sentimos ao ler esta carta é algo já naturalmente assimilado, se a própria revolta já não está desgastada pelo tempo e completamente prevista na sociedade espetacular ("A potência do espetáculo atual reside no fato de que ele governa não apenas o mundo que ele produz, mas também os sonhos que as suas vítimas criam para escapar de seu reinado." I.S. in A Miséria do meio estudantil, prefácio da edição francesa de 1995) e ainda se essa fagulha de consciência prática vai passar de Atenas.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Pândego

Porque a tragicomédia nos acompanha a vida toda. Recorrente e imediata, ela aparece nos principais momentos da nossa vida, naqueles que forjamos desespero para pertencermos a determinada 'facção social' (?). Tal transfiguração pode ou não pode ser consciente. E a consciência ainda pode ser crítica ou não.

Enfim, chegou o final do semestre. Ele está aí e vai acabar cedo. Não tivemos greve e as olimpíadas foram fracas e em horários madrugais. Aquela angústia e desespero causados pela boa e velha procrastinação crônica não nos deixa dormir direito, nem fazer os trabalhos como eles deveriam ser feitos, o que aumenta a angústia, que aumenta a nossa incapacidade de fazer as coisas. Mas até aí, qual o problema? Nenhum, absolutamente nenhum. São anos e anos levando as coisas do mesmo jeito, com as mesmas angústias, com o mesmo desespero. A gente chora pra depois rir.
Mas esse ano foi meio diferente. Resolveram postar num blog sobre essa terrível época do ano.

Não sei se justifico o texto ou se o alinho à esquerda...

segunda-feira, 12 de maio de 2008

ortâncias

Bom, não sou misantropo, a questão não é essa. A individualidade há tempos que se tornou apenas mais um mascaramento para percebemos nossos verdadeiros intuitos, que não são mais verdadeiros.
A questão é: Há questão?

domingo, 11 de maio de 2008

desimp

Nem sei o motivo por que fiz esse blog. Uma sensação estranha de não pertencimento, mas não presunçoso. Justamente porque não tenho muito pra falar, não aqui, não pra alguém, não desse jeito.
Ficamos com a sempre recorrente impressão de pertencimento, mas um pertencimento tão restringido a algo não palpável e alienante, que chega a ser - e é - perigoso. Ao menos pra mim, é.
Até acho que já chegou num ponto irreversível, que somente uma ruptura brusca poderá mudar as atuais circunstâncias de vivências cotidianas minhas.
Um saco.

terça-feira, 4 de março de 2008

Dedinhos apostos...

Quando aprendemos a manipular as verdades com a ponta dos dedos sujos de óleo ninguém mais consegue nos parar. Somos tratores destruindo possibilidades e parâmetros, somos cães estuprando cadelas e outros cães na rua, somos sorvetes derretendo no verão e sujando a mais delicada mão, somos enxaquecas que não falam quando chegam e nem quando saem. Somos quilos a mais.

Só toma cuidado pra não deixar a verdade cair no chão sujo e estilhaçar-se. Ainda vai levar um tombo nos cacos.

sábado, 27 de outubro de 2007

Um desfavor à geografia

É o que esse blog é. Ele não tem motivos e nem o direito de pôr o geográfico no nome. Uma verdadeira afronta aos ideais da Ciência Geográfica. Nada do que já foi escrito aqui tem alguma relação com a Geografia. Socioeconomia, modos de vida, vestígios de rotina... Nada disso é geografia, nem mesmo Geografia Cultural.
O despreparo e o pedantismo reinam, vitoriosos.

Gordo, feio, pobre e mora longe.

Se emagrecer, acho que fica com o pinto grande. Senão seria muita sacanagem...

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Minha próxima leitura

Hay en nuestra alma algo que sobrepuja a todo lo existente. En la mayor parte de las horas este algo está dormido; pero cuando recordamos o sufrimos una amable lejanía se despierta, y al abarcar los paisajes los hace parte de nuestra personalidad. Por eso todos vemos las cosas de una manera distinta. Nuestros sentimientos son de más elevación que el alma de los colores y las músicas, pero casi en ningún hombre se despiertan para tender sus alas enormes y abarcar sus maravillas. La poesía existe en todas las cosas, en lo feo, en lo hermoso, en lo repugnante; lo difícil es saberla descubrir, despertar los lagos profundos del alma. Lo admirable de un espíritu está en recibir una emoción e interpretarla de muchas maneras, todas distintas y contrarias. Y pasar por el mundo, para que cuando hayamos llegado a la puerta de la "ruta solitaria" podamos apurar la copa de todas las emociones existentes, virtud, pecado, pureza, negrura. Hay que interpretar siempre escanciando nuestra alma sobre las cosas, viendo un algo espiritual donde no existe, dando a las formas el encanto de nuestros sentimientos, es necesario ver por las plazas solitarias a las almas antiguas que pasaron por ellas, es imprescindible ser uno y ser mil para sentir las cosas en todos sus matices. Hay que ser religioso y profano. Reunir el misticismo de una severa catedral gótica con la maravilla de la Grecia pagana. Verlo todo, sentirlo todo. En la eternidad tendremos el premio de no haber tenido horizontes. El amor y la misericordia para con todos y el respeto de todos nos llevará al reino ideal. Hay que soñar.
LORCA, Frederico García. Impresiones y Paisajes, 1918.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Desfatuidade

Apenas um nome mais condizente à atual situação relativa deste espaço.

Desfatuidade não é sinônimo nem antônimo de desimportante.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

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Hoje no trem

Tinha um senhor cantando, entre os berros dos revoltosos, os risos de sarro dos jovens que não entendiam como aquele senhor se submetia a tamanha cena vergonhosa, entre os que faziam cara de desaprovo e os indiferentes, que sempre estão lá com seus soslaios.
Eu estava entre os blasés que riam.
De rabo de lábio.

A voz parecia a do Jorge Ben.